









| .::sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005::. |
| Coisas boas (e ruins)...
Finalmente consegui um emprego, mesmo que não seja algo 100% seguro. Durante os últimos quinze dias eu vivi uma verdadeira maratona indo de escola em escola para fazer cadastro de professor eventual (que substitui professores efetivos) e, ao mesmo tempo, procurar vaga para os meus burreguinhos menores no período matutino, já que o Gabriel (1ª série) caiu no período intermediário (11h às 15h) e o Fernando (3ª série) no vespertino (15h às 19h), pois assim, seria impossível eles darem continuidade às outras atividades (judô, balé e natação). Em dois dias percorri quase 20 escolas no total e me cadastrei em todas. Um dia antes do resultado (sexta passada), eis que liga uma moça do Carrefour pedindo para eu ir fazer uma entrevista no dia seguinte. Sorte que foi no período da manhã e, mesmo tendo ficado lá (no Carrefour Anchieta) até as 13h30, perdi somente uma das atribuições que foi às 10h30. Eu nem fiquei muito preocupada porque justamente esta escola é meio fora de mão (mesmo de carro). O fato é que depois que terminou a "provinha" e a entrevista, a moça disse que me ligaria para avisar quando eu poderia ir à Loja de Santo André falar com o gerente e iniciar o treinamento, mas até o presente momento, nada disso aconteceu. Eu estava disposta a aceitar o salário de R$284,00 para trabalhar de sexta à domingo no período noturno, como caixa, mas o lance não fluiu... O bom é que à tarde, cada escola teve atribuição em um horário diferente e algumas escolas só fizeram a atribuição no decorrer desta semana. Na última escola que eu estava esperando foi exatamente hoje. Cheguei de lá faz pouco tempo. Vamos voltar ao dia da entrevista: eu não sabia ir até o Carrefour Anchieta e a Marcia gentilmente se ofereceu para me acompanhar na aventura. Eu não fazia idéia do quão podre estava o Brisamóvel porque eu não consegui passar de 70 Km/h na Anchieta. Assim que minha situação financeira melhorar, vou (ser obrigada a) dar um trato nele. Não obstante, ainda encontrei por lá, disputando uma vaga comigo, uma velha conhecida a quem dei carona na volta. Além de ser dispensada logo de cara pela entrevistadora, a pobre estava tão mal que vomitou duas vezes no caminho. Sorte que tinha uma sacola no banco de trás. A entrevista estava marcada para as 9h da manhã e demorou muito todo o processo. A Marcia foi um anjo porque além de ficar lá esperando (entre as andanças pela loja e o crochê no carro ardendo ao sol), ainda percorreu todas as escolas comigo. Quando chegamos em Mauá City não dava tempo de deixá-la em casa antes de participar das atribuições que restavam. Resumindo: ela ficou no carro a maior parte do tempo, das 6h50 (quando nos encontramos) até 17h30 (quando nos despedimos). Ela salvou o meu dia, jamais Deus permita que eu esqueça disso, detestaria me tornar uma pessoa ingrata... Como saldo do dia, consegui pegar aula (eventual) na escola que fica aqui do ladinho de casa (nadei, nadei e "atolei" na praia...rs), no período da tarde (porque tive que optar por apenas um período). Claro que está bom demais, porque tem gente que nem isso conseguiu. Na segunda-feira, fui em outra escola aqui perto e fiquei sabendo que consegui aula lá também, mas só poderia começar nesta depois que começasse na primeira, e só poderia começar lá depois que fizesse o exame médico que consegui marcar somente para ontem (quinta-feira). Por falar em quinta-feira, foi na quinta (dia 10) que minhas aulas começaram, mas só pisei lá na última quarta e, como tive que faltar para fazer o exame ontem, fui hoje de novo para não estourar em falta. Descobri que demitiram muitos funcionários nessas férias, do meu setor e do meu horário, só sobrou uma pessoa. Não pouparam nem a encarregada e nem as duas funcionárias novas que entraram depois que eu saí. Estou quase maluca porque os professores foram cruéis e pediram trocentas leituras obrigatórias. O pior de tudo isso é que além de não encontrar todos os livros, não posso comprar nenhum devido à tal crise financeira que me acompanha desde o ano passado. Por isso vou colocar aqui a lista, e se alguém tiver algum e puder me emprestar, vou ser obrigada a aceitar (hehehe), porque não estou com vontade de ler nada. Já basta os livros que terei que ler para terminar meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso, extinta Monografia). São eles: Macunaíma (Mario de Andrade) Romanceiro da Inconfidência (Cecília Meireles) A hora da estrela (Clarice Lispector) Laços de Família (Clarice Lispector) Estrela da vida inteira (Manuel Bandeira) Vidas Secas (Graciliano Ramos), este eu tenho, mas coloquei aqui pra vocês ficarem com peninha (no bom sentido) de mim... rs Tanta gente Mariana O Sertão Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto) O evangelho segundo Jesus Cristo (José Saramago) - este é peça rara (nem as traças* da minha sala encontraram), help me! Portos de Passagem (João Wanderley Geraldi) Língua e Liberdade (Celso Pedro Luft) A língua de Eulália (Marcos Bagno) Tem outros trechos de livros (crônicas, contos, poemas) que vou tentar achar na net. Claro que ler é bom demais. Mas quando se é obrigado a ler, parece que o prazer da leitura diminui. Ainda mais quando se tem tão pouco tempo para fazê-lo e tão pouco recurso, como é o meu caso. *Eu chamo de traça as pessoas que fazem questão de comprar todo e qualquer livro que os professores exigem, pedem, sugerem ou comentam mesmo que não pretendam jamais abrí-los para sequer folheá-los. (Comentário da Helena Venenosa. Que feiooooo!!!!) Voltando aos burreguinhos: as aulas começaram dia 14, mas eles já andaram faltando para ir uma vez ou outra no judô e no balé, já que os horários ainda estão se chocando porque ainda não consegui tranferí-los para uma escola onde tenha 3ª série no período da manhã. Seria mais fácil que na escola deles tivesse, porque assim eu tentaria trocar de horário e não de escola. Hoje saí quase chorando de uma das muitas na qual deixei o nome deles na lista de espera, porque eles têm que dar prioridade para crianças que venham de longe (outras cidades e estados). No início da semana eu até me animei porque tinha três crianças na frente do Fernando e haveria recontagem de turmas para ver se abriu vaga, mas deparei com mais umas dez crianças que vieram de escolas distantes e que foram colocados na frente dele. Não contesto isso porque concordo com esse critério de prioridade, mas fiquei revoltada por ter que passar por isso tudo num país tão rico como o nosso. Teve uma funcionária ordinária que sugeriu que eu tirasse os meninos dos cursos afirmando que "a escola é mais importante, mãe". Claro que a escola é muito importante, mas é por causa de pessoas bitoladas como esta que nossas crianças têm tanta dificuldade de se desenvolver como seres humanos ativos e participativos na comunidade, sócio, político e culturalmente falando. Nem vou me aprofundar mais neste assunto para não ficar mais estressada ainda. Não sei mais o que fazer porque a solução para isso eu conheço, mas não posso executá-la porque não tenho a ferramenta imprescindível: dinheiro. Não, eu não pretendo subornar ninguém, eu só queria poder pagar uma escola particular para eles, já que, aparentemente, não existe outra solução. Se eu conseguir escola para eles estudarem de manhã, até o Gabriel vai fazer natação este ano. Só falta o Ricardo resolver fazer balé também para que os três fiquem com agendas equivalentes, mas acho isso pouco provável... Ainda na segunda-feira, logo cedo, fui ao Banespa com o firme propósito de abrir a conta bancária para receber meu salário (ohhhhhhhh) que fiquei sabendo que só vem em abril se correr tudo bem, mas esqueci de levar o comprovante de endereçlo e tive que voltar em casa para pegar. Se de manhã a fila do banco estava inaceitável, à tarde estava três vezes pior. Mas fiquei lá, pacientemente (até parece) esperando, com a senha amarela na mão. Quando o "moço" chamou meu número eu já tinha encontrado um lugar para me encostar e foi lá mesmo que eu cochilei, babei e sonhei, mas é melhor deixar o sonho para contar em outro post. Não achei importante, mesmo assim disse à ele que há alguns anos atrás eu tinha tido uma conta naquele banco e para meu espanto, quando ele consultou meu CPF, você não imagina o que ele constatou! Eu pensei que tinha uma dívida enorme lá para eu pagar, mas felizmente ele disse apenas que minha conta ainda existia e prontamente devolveu a documentação que eu tinha levado (inclusive o comprovante de endereço, bahhhhhhhhhh). Agora vou falar do meu exame médico que, como não poderia deixar de ser, também deu pano pra manga. Estava marcado para ontem (quinta-feira), lembra? Antes precisei tirar foto 3x4 e fui"enganada" pelo cara porque ele me disse com todas as letras que 6 fotos custavam R$5,00. Paguei e tirei as fotosmas quando fui buscar, ele me deu só 4 fotos e jurou de pé junto que eu entendi errado. Mas isso não foi o pior. Na manhã do exame, juntei todos os documentos necessários e na hora que procurei as fotos, cadê? Revirei a carteira, a bolsa, o armário, as gavetas, as caixas, as frestas, tudo! E nada de encontrar as fotos. Eu via a hora, os minutos, os segundos passando e não encontrava nada. Mobilizei todo mundo para me ajudar a procurar e não sabia se chorava ou se procurava também. Até meu cunhado (marido da minha irmã) que mora na casa de baixo entrou na dança. Resolvi rumar para o Posto Médico sem as fotos mesmo e explicar o ocorrido a fim de conseguir um tempo para tirar outras fotos. As moças da recepção até que foram legais e conversaram com o médico a respeito, que permitiu que eu fizesse o exame sem as fotos. Na sala de espera, mais calma, mas não muito conformada, resolvi dar mais uma olhada na carteira. Não é que as fotos estavam lá? Aleluia! Liguei rapidinho para casa e avisei o mutirão para cessarem a busca. De posse do laudo médico e do número da conta, fui trabalhar mais aliviada, mas a secretária da escola disse que precisava de um "documento" oficial constando o número da conta. Como eu já não usava aquela conta há uns 5 anos, não tinha mais nada em casa e tive que voltar hoje ao banco para conseguir uma "prova" concreta. Isso até que não foi tão difícil, comparado com os episódios anteriores. Meu primeiro dia de professora depois de muitos anos (para quem não sabe, já lecionei em 95 e 96, da outra vez que tinha iniciado o curso) foi ontem. Logo de cara fui para uma sala barulhenta com 40 alunos de 12 anos. Eles eram muito inquietos, mas depois de alguns minutos de conversa, eles contribuíram para que a paz reinasse. Dei três aulas ontem e três hoje. Ontem, depois que cheguei em casa, em choque, deitei na cama e fiquei olhando para o teto por horas. Mas levantei, sacudi a poeira e preparei as aulas que daria hoje, mesmo sem saber para que série seria (ou seja, preparei várias aulas...rs). Hoje eu já estava mais acostumada com a idéia e acho que conquistei a simpatia da maioria dos pequeninos. Ganhei até desenho com florzinha e coração. Eu sei que não vai ser fácil, mas isso foi uma injeção de ânimo e tanto! Nesse período da tarde tem salas de 5ª, 6ª e 7ª série. Além da idade, o horário contribui muito para que eles estejam com 100% de energia carregada, visto que dormem até tarde e almoçam antes de ir para a escola. Na escola que fui hoje tem de 5ª série à 3º colegial, tudo supletivo. Os alunos são na maioria adultos e vou começar lá na segunda-feira. Desisti da outra escola da noite porque apesar de ser supletivo também, tem metade das turmas e, conseqüentemente, menos aulas para substituir. Se bem que na escola de hoje tambérm tem mais professores eventuais, o que aumenta a concorrência. Um deles, conversando comigo disse que vai tentar arrumar vaga para os meninos numa outra escola onde ele trabalha. Infelizmente não estou em posição de bancar a orgulhosa e negar o "jeitinho brasileiro". Mas só vou ficar sabendo com certeza na segunda. Haja paciência. Ele não foi a primeira pessoa a oferecer ajuda, e nunca vi o rapaz antes, apesar dele dizer que eu não sou estranha. Tem um monte de gente, até mesmo estranhos, tentando nos ajudar de alguma forma. Isso é reconfortante. Paralelamente a isso tudo, eu estou fazendo a revisão de uma monografia. Primeiro porque eu preciso de grana, e segundo porque é para o amigo de um amigo meu que me pediu para dar uma força. Eu pensei que seria mais fácil, mas está muito complicado organizar tudo. Quando deparei com o material que o rapaz me trouxe, pensei que não teria cacife para dar conta, mas passados os primeiros dias de grande pressão, porque ele precisava mostrar tudo ao professor na quarta, já começo a ver uma luzinha no fim do túnel. Ele me ligou e disse que tenho até março para finalizar tudo. Fui ao cinema pela primeira vez este ano no domingo, com o pessoal da Verdadeira Mauá City. Montei um álbum de fotos que ficou muito legal. A gente se divertiu bastante. Conversamos e tiramos fotos antes do filme (Jogos Mortais - que não é melhor que Seven coisa nenhuma). Na quarta-feira, pela primeira vez, fui ao Canoa Quebrada (Ribeirão Pires) comemorar o aniversário da minha adorável amiga Micheli Pocahontas. Confesso que não gostei muito, talvez porque eu estava um cacareco de pessoa. Cansaço mental é pior que cansaço físico. A pior parte de todos os acontecimentos é que eu soube que minha avó (aquela senhorinha adorável de 99 anos que mora na Bahia) está muito, muito doente, por razões óbvias. Minha ligação com ela é muito forte e eu estou com o coração apertadíssimo. Acho que é só isso que tenho de novidade. Se eu sumir daqui de novo, não se preocupe, em junho meu curso (finalmente) acaba e eu terei mais tempo livre para contar sobre minhas viagens insólitas e psicossomáticas. Aproveito para agradecer de coração à toda a torcida que me acompanhou durante esses últimos meses e que, de uma forma ou de outra, contribuiu para que eu continuasse essa difícil jornada. Mais uma vez eu reforço: Quem tem amigo, tem tudo!!! Beijos e bom fim de semana!!! "Fessora" Helena P.S.: Já que você consegui chegar até aqui, deixe um comentário para eu saber que você ficou por dentro dos acontecimentos. ![]() |
| |post por Helena de Trói@ .::12 belos comentários::. - 23:40:13| |
| .::domingo, 6 de fevereiro de 2005::. |
| Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque este não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. Carlos Drumond de Andrade |
| |post por Helena de Trói@ .::13 belos comentários::. - 17:26:33| |